Coluna: COLUNA DO BARBOSA

A geração de ferro (Miriam Moratta)
15 de Julho de 2022 às 09:15
Três belos textos para reflexão compõem a coluna de Nolfeu Barbosa nesta sexta-feira, 15/07. A coluna abre com o texto intitulado A GERAÇÃO DE FERRO. Vale a pena ler!
Três belos textos para reflexão compõem a coluna de Nolfeu Barbosa nesta sexta-feira, 15/07. A coluna abre com o texto intitulado A GERAÇÃO DE FERRO. Vale a pena ler!

ESTÁ MORRENDO A GERAÇÃO DE FERRO, PARA DAR PASSAGEM À GERAÇÃO DE CRISTAL.

– Aqueles a quem chamávamos de “SENHOR” e “SENHORA”, porque “VOCÊ” é para “SEUS AMIGUINHOS”.
– Está morrendo a geração que não estudou, porque precisava trabalhar para ajudar os pais, depois para realizar o sonho da casa própria, sustentar a família… mas chorou de emoção e orgulho na formatura dos filhos.
– Está morrendo a geração que antes das 22h colocava todo mundo na cama, ajeitava o cobertor e rezava junto, porque “NINGUÉM DEVE DORMIR SEM REZAR, NÃO SOMOS BICHOS.”
– Está morrendo a geração que nunca viu uma carreira de cocaína, nem precisou de comprimidos, ou energéticos, para rir e dançar a noite inteira, mas não ousavam tomar leite com manga.
– E ninguém saía, ou entrava em casa, sem “A BENÇÃO”, e isso fazia toda a diferença.
– Está morrendo a geração que nunca sonhou com a Disneylândia, porque divertido mesmo era ficar na calçada com os vizinhos, contando ‘causos’ enquanto ficavam “DE OLHO NAS CRIANÇAS”.
– Está morrendo a geração que guardava o troco de moedas no cofrinho, mas não economizava nas festas de aniversário – um bolo, sanduíches, brigadeiros e suco. Sem DJ, só o som das crianças brincando e a risada dos parentes e amigos.
– Está morrendo a geração de ferro, que anotava as dívidas na caderneta e ansiava pelo dia do pagamento para quitar todas as dívidas, porque “ESSE DINHEIRO NÃO É MEU”.
– Está morrendo a geração que pagou para ver; bancou os seus sonhos e sonhou os sonhos dos filhos; sorvete era para dias especiais e comer arroz e feijão era a regra para crescer forte, porque “SACO VAZIO NÃO PARA EM PÉ”.
– Está morrendo a geração de ferro, que fez do trabalho o objetivo de vida, não soube o que eram férias e passear na praça com os amigos era uma aventura deliciosa, que rendia incontáveis fofocas e segredos.
– Está morrendo a geração que sempre deixou o último bolinho para os filhos, mas amargou a saudade e o medo, quando esses filhos não tiveram mais tempo para eles.
– Está morrendo a geração que pagou todas as contas, mas não imaginou que envelhecer seria tão caro e que, em alguns casos, alguns dos filhos não estariam dispostos a dividir essa conta.
– Está morrendo a geração de ferro que soube arrancar comida e esperança de pedra, para cuidar da família, mas esqueceu de cuidar de si mesmo.
– Está morrendo a geração que nos deu a vida.


AFINIDADE (Arthur da Távola)

A afinidade não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe, não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por...
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou, sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E, para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro, sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.


A IMPORTÂNCIA DO AMOR (Autor desconhecido)

Ela disse:
– Não chame o médico, eu quero dormir em paz. Com sua mão na minha.
Ele contou a ela sobre o passado, como eles se conheceram - sobre o primeiro beijo. Eles não choraram, eles sorriram.
Eles não se arrependeram, eles estavam gratos.
Então ela disse, de novo, baixinho: "Eu te amo, para sempre".
Ele devolveu as palavras dela, deu-lhe um beijo suave na testa.
Ela fechou os olhos e adormeceu em paz, com suas mãos nas dele...
O amor é realmente tudo o que importa, porque todos vêm a este mundo com nada além do amor e partem com nada além do amor. Profissão, carreira, conta bancária, nossos produtos, são apenas ferramentas, nada mais.
Tudo fica aqui.
Então, apenas ame...

Seleção de textos feita por Nolfeu Barbosa.

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