Coluna: COLUNA DO BARBOSA

Jesse Koz e seu cão
24 de Junho de 2022 às 14:35
Jesse Koz e seu fiel companheiro, o cão Shurastey, conquistaram milhares de seguidores com o relato de suas aventuras. Nolfeu Barbosa, em sua coluna desta sexta-feira, 24/06, fala sobre essa dupla que partiu precocemente, antes de concluir seu objetivo.
Jesse Koz e seu fiel companheiro, o cão Shurastey, conquistaram milhares de seguidores com o relato de suas aventuras. Nolfeu Barbosa, em sua coluna desta sexta-feira, 24/06, fala sobre essa dupla que partiu precocemente, antes de concluir seu objetivo.

Morreu, no dia 23 de maio passado, o influenciador digital Jesse Koz, 29 anos. Jesse era natural do Paraná, mas morava em Balneário Camboriú-SC. Ele morreu num acidente de trânsito, ocorrido próximo da cidade de Selma, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. Talvez, se ele estivesse viajando num carro mais novo e mais forte, o acidente não teria as proporções que teve. Mas, certamente, se fosse um carro mais novo, não teria nem o saudosismo e nem o charme de um fusquinha, não é verdade?

Confesso que eu sabia pouco da história dele e de seu cão, só tinha ouvido falar deles em algumas matérias de jornais televisivos, quando ele ainda atravessava a América do Sul.

Jesse tinha um projeto ousado, que consistia em viajar pelas Américas e chegar ao Alasca, no seu fusquinha 1978, com 1.300cc, que ele apelidou de “Dodongo”. Quando de sua morte, ele já acumulava mais de 85 mil quilômetros rodados e tinha passado por 17 países. Sua viagem iniciou em 2017, acompanhado de um cão da raça Golden Retriever chamado Shurastey, de 6 anos de idade, e que já era uma celebridade na internet.

Jesse trabalhava com vendas num shopping de Camboriú, mas estava insatisfeito com a rotina de seu trabalho. Decidiu vender tudo que tinha e viajar pela América do Sul. “O plano era sair, o plano era viajar, não sabia por quanto tempo, não tinha roteiro, não tinha um destino certo, mas era pela América do Sul”, relatou o influenciador. Ao longo do tempo, seus planos foram mudando e seu novo projeto era chegar até o Alasca. Quis o destino que seu projeto fosse interrompido, faltando 2 dias para chegar ao Canadá, de onde seguiria para o Alasca.

Jesse possuía um rol de quase um milhão de seguidores no Instagram, onde compartilhava fotos, vídeos e relatos de sua aventura. Ele custeava suas despesas de viagem com a venda de produtos personalizados para pessoas e cães, através do seu site e de suas redes sociais.

O influenciador inspirou diversas pessoas durante a vida, que admiravam sua coragem e liberdade de viajar pelo mundo em um Fusca, apenas com seu cachorro. Ele mostrou às pessoas como pode ser forte e duradoura a amizade entre um cão e seu dono. Juntos, eles percorreram lugares que muitos de nós só veremos em sonhos, ou pela televisão. Ambos viram, pela primeira vez, a neve do Ushuaia; viram, juntos, o maior deserto de sal da Bolívia e o deserto do Atacama, no Chile; passaram por Machu Pichu e cruzaram a Linha do Equador. Juntos, eles conheceram o Caribe da Costa Rica e subiram o Vulcão de Fogo da Guatemala.

Ao chegarem ao México, o fusca teve que sofrer uma bela reforma, pois estava todo destruído pelas longas viagens. Jesse tentou salvar o máximo possível de peças, pois, segundo ele: “cada pedaço, cada detalhe, cada amassado, tinha uma história a ser contada”.

Quando de sua morte, a preocupação passou a ser o translado dos corpos de Jesse e Shurastey para o Brasil, para uma despedida formal. Isso custaria muito caro, e a família de Jesse não possui muitas posses. Em vista disso, algumas pessoas mais próximas a ele organizaram uma “vaquinha virtual” para angariar fundos. O valor de 120 mil reais (custo do translado) foi arrecadado em menos de 12 horas, tal a importância de Jesse e seu cão junto a seus seguidores.

No coração de sua família e dos admiradores, ficam a inspiração e o espírito de aventura da dupla Koz e Shurastey, que dividiram a estrada com milhares de pessoas que os acompanhavam nas redes sociais.

Em sua última postagem, no Instagram, Jesse Koz avisou aos seguidores que estava acampado com Shurastey no Oregon, de onde partiria para o tão sonhado destino gelado, o Alaska.

“A vida é mais do que ficar só esperando”. Jesse Koz.

O INVERNO CHEGOU

E chegou, na manhã de terça-feira, dia 21, o temível inverno, a estação mais fria do ano no hemisfério sul. As previsões dão conta de que este inverno será o mais frio, na média dos últimos anos, pois sofrerá o efeito do fenômeno natural La Niña, tornando-o mais rigoroso, com muito frio e baixas temperaturas. Segundo a MetSul Meteorologia, poderemos ter um “calorzinho amigo” nos meses de agosto e setembro, mas, no geral, teremos um inverno muito gelado.

É justamente nesta estação mais fria que aquelas pessoas mais desafortunadas precisam de nossa ajuda, quer seja com roupas usadas, cobertores e mantas, além de alguns alimentos primordiais à sua subsistência. Mas é preciso ter muito cuidado ao doar roupas usadas, por exemplo. Essas roupas têm que estar em condições de uso, não é legal doar roupas que jogaríamos fora, de tão imprestáveis...
Há uns 20 anos, eu tinha o costume de fazer doações ao Teleton, Criança Esperança e aos Médicos sem Fronteiras. Lembro que eu ficava intrigado, pensando se as minhas doações efetivamente chegavam ao destino final. Com o tempo, fui aprendendo que, bem próximo de nós, tem muita gente precisando de auxílio, e bem dentro da nossa comunidade. A partir de 2005 ou 2006, passei a fazer doações periódicas em algumas instituições assistenciais aqui de Montenegro, hábito que mantenho até hoje.

Se você tem a ajuda ao próximo como princípio de vida, pesquise as instituições de caridade de sua cidade, verifique a idoneidade delas, e faça doações periódicas a essas entidades. Além de estar ajudando a quem precisa, você se sentirá satisfeito consigo e sua alma parecerá mais leve, pois doar é um ato de amor e salvação.

Não esqueçamos do ditado: “Quem dá aos pobres empresta a Deus.”

Coluna assinada por Nolfeu Barbosa.

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