Coluna: COLUNA DO BARBOSA

Seleção de textos
17 de Junho de 2022 às 07:30
Quatro belos textos para reflexão compõem a coluna de Nolfeu Barbosa desta sexta-feira, 17 de junho.
Quatro belos textos para reflexão compõem a coluna de Nolfeu Barbosa desta sexta-feira, 17 de junho.

MEU NOME É FELICIDADE (Suzane Maia Delamare):
Meu nome é felicidade, sou casada com o Tempo.
Ele é responsável pela solução de todos os problemas, ele constrói corações, ele cura machucados, ele vence a tristeza...
Juntos, eu e o Tempo, tivemos três filhos: a Amizade, a Sabedoria e o Amor. Amizade é a filha mais velha. Uma menina linda, sincera, alegre. A Amizade brilha como o sol, une pessoas, pretendendo nunca ferir, sempre consolar.
A filha do meio é a Sabedoria. Culta, íntegra, sempre foi mais apegada ao pai, o Tempo. A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos.
O filho caçula é o Amor. Ah! Como esse me dá trabalho! É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar... Eu vivo dizendo: Amor, você foi feito para morar em todos os corações, não em apenas um. O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo. Quando ele começa a fazer estragos, eu chamo logo o pai dele, e aí o Tempo vem fechando todas as feridas que o Amor abriu. E tudo, no final, sempre dá certo.
Por isso, acredite sempre na família. Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e no Amor. Aí, quem sabe, eu, a Felicidade, não acabo batendo na sua porta?

DE CORAÇÃO (Autor desconhecido):
O estacionamento estava deserto, quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar. E, se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante achegou-se, cansado de brincar. Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse, cheio de alegria:
- Veja o que encontrei.
Na sua mão uma flor, e que visão lamentável: pétalas caídas, pouca água ou luz. Querendo me livrar do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei. Mas, ao invés de recuar, ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou, com estranha surpresa:
- O cheiro é ótimo, e é bonita também.... Por isso a peguei; ei-la, é sua.
A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então me estendi para pegá-la e respondi:
- O que eu precisava.
Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos. Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol, enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.
- De nada - ele sorriu.
E então voltou a brincar, sem perceber o impacto que teve em meu dia. Sentei-me e pus-me a pensar: como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho? Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez, no seu coração, ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão. Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU. E, por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu. E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri, enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de outro insuspeito senhor de idade.

ENCONTROS ETERNOS (U.S. Malta):
Fazer anos, ter planos para algo que se planta, água para matar nossa sede, deserto que foge, lua que nos encanta. Fazer anos e nunca mais ficar velho, somente mais sábio, sem medo de se sentir mais tolo. Nada sabemos e, ainda assim, teimamos em querer aprender. Divina sede de conhecimento. Compartilhar risos e lágrimas e sentir-se mais vivo. Encontros eternos de almas sedentas de carinho. Um gesto, um olhar, um abraço amigo, um afago irmão do bem querer. Eternos esses olhos de criança, você que me vê mais calado, ás vezes mais rabugento, noutras mais risonho. Já tive teorias de vidas guardadas, fórmulas de como ser feliz. Abri mão de tudo isso e hoje me sinto mais leve, sem tanta bagagem nas costas. Meu caminho eu aprendi a trilhar sem pressa. Tenho tempo de espalhar sementes , ouvir o canto dos pássaros, me banhar na chuva fina que cai ao longo da minha caminhada. Tenho tempo de tecer palavras de afeto, frases que encorajam o meu coração a amar mais uma vez. Sem rótulos nem outros interesses. Quero irmanar o meu canto. Quero ouvir o eco da sua voz. Quero, sim, recomeçar como um dia que traz o sol, a brisa, o mar, o azul que se irmana com a esperança de aprender a crescer para a vida. Aprender a realizar, durante a minha existência, esses encontros eternos.

O VELHO CARPINTEIRO (Autor desconhecido):
Um velho carpinteiro estava pronto para se aposentar. Ele informou ao chefe seu desejo de sair da indústria da construção e passar mais tempo com sua família. Ele admitiu que sentiria falta do salário, mas realmente queria se aposentar. A empresa não seria muito afetada pela saída do carpinteiro, mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo, então ele pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projeto, como favor. O carpinteiro concordou, mas era fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia. Ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneira negativa de terminar a sua carreira. Quando o carpinteiro acabou, o chefe veio fazer a inspeção da casa. Depois, ele deu a chave da casa ao carpinteiro e disse:
- Essa é sua casa, é o meu presente para você.
O carpinteiro ficou muito surpreso e, ao mesmo tempo, desapontado consigo mesmo. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito tudo diferente.

REFLEXÃO:

Às vezes, isso acontece conosco. Nós construímos nossa vida, um dia de cada vez e, muitas vezes, fazendo menos que o melhor possível. Depois, com surpresa, descobrimos que nós precisamos viver na ‘casa’ que nós construímos. Se nós pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas não podemos voltar atrás. Você é o carpinteiro. Todo dia você martela pregos, ajusta tábuas e constrói paredes.

"A vida é um projeto que você mesmo constrói. Suas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a ‘casa’ em que você vai morar amanhã”.

Seleção de textos feita por Nolfeu Barbosa.

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