Coluna: COLUNA DO BARBOSA

A crase e seus pecados mortais
21 de Maio de 2021 às 08:00
Para dominar a escrita da língua portuguesa, é preciso conhecer as regras e praticar bastante. Nesta sexta-feira, Nolfeu Barbosa aborda em sua coluna os 7 pecados mortais da crase.
Para dominar a escrita da língua portuguesa, é preciso conhecer as regras e praticar bastante. Nesta sexta-feira, Nolfeu Barbosa aborda em sua coluna os 7 pecados mortais da crase.

Segundo os estrangeiros que vêm morar no Brasil, o idioma português é um dos mais difíceis de serem aprendidos. Concordo com essa linha de pensamento, pois nosso idioma possui palavras que têm mais de um significado, e também possui várias palavras para definir a mesma coisa.

Quando ouvimos falar em pilha ou bateria, logo pensamos em algo para fazer funcionar um equipamento eletrônico, mas a palavra pilha também serve para definir uma quantidade de algum objeto: uma pilha de livros, de cadernos ou qualquer outra coisa. Já a palavra bateria também serve para definir um instrumento musical, geralmente usado em bandas ou orquestras.

Se já é difícil falar bem o português, podemos dizer que é dificílimo escrever bem, tantas são as regras gramaticais a serem seguidas. Vejamos o caso da crase, por exemplo. Sua definição é até simples de ser compreendida, mas sua colocação em prática traz muitas dúvidas a quem costuma escrever. Como sabemos, a crase é a fusão (ou contração) do artigo “a” com a preposição “a”, mas muitas pessoas confundem o artigo com a preposição. Vale lembrar que é usado o acento grave na letra “a”, para identificar a crase.

Os sete pecados mortais da crase

Situações em que é VEDADO o uso da crase:

1º) antes de palavra masculina: “Ele está no Rio a serviço”;

2º) antes de artigo indefinido: “Chegamos a uma boa conclusão”;

3º) antes de verbo: “Fomos obrigados a trabalhar”;

4º) antes de expressão de tratamento: “Trouxe uma mensagem a Vossa Excelência”;

5º) antes de pronomes pessoais, indefinidos e demonstrativos: “Nada revelarei a ela, a qualquer pessoa ou a esta pessoa”;

6º) quando o “a” está no singular, e a palavra seguinte está no plural: “Referimo-nos a moças bonitas”;

7º) quando, antes do “a”, existir preposição: “Compareceram perante a Justiça”.
 
Como toda regra tem exceção, com a crase não poderia ser diferente. Antes dos pronomes possessivos (minha, tua, sua nossa...), o uso dos artigos definidos é facultativo: “Este é o meu carro” ou “Este é meu carro”; “Aquela é a minha sala” ou “Aquela é minha sala”. Assim sendo, quando houver a preposição “a” antes de um pronome possessivo feminino singular, restará a dúvida cruel: existe ou não o artigo feminino singular “a” e, consequentemente, a crase? Como o uso do artigo antes do pronome possessivo é facultativo, o uso do acento da crase também será facultativo.

Exemplos de crase facultativa:

“Estamos à sua disposição” ou “Estamos a sua disposição”.

“Vamos à minha residência” ou “Vamos a minha residência”.

É difícil, ou não, escrever bem o português? Note-se que a crase é apenas um dos problemas enfrentados por quem escreve. Em outra coluna, mais adiante, vou tentar falar de outros temas tão complicados como esse de hoje.


Por Nolfeu Barbosa

Mais artigos de COLUNA DO BARBOSA