Coluna: COLUNA DO BARBOSA

O presente enterrado (Silvia Schmidt)
30 de Abril de 2021 às 09:30
O texto da Coluna do Barbosa desta sexta tem como foco a fidelidade e o companheirismo que os animais de estimação dedicam aos seus donos.
O texto da Coluna do Barbosa desta sexta tem como foco a fidelidade e o companheirismo que os animais de estimação dedicam aos seus donos.

Um cão, observado por seu dono menino, cavava um buraco para guardar um belo osso que ganhara. Após colocá-lo no buraco, puxou de volta toda a terra, repisou-a fortemente, reforçou com o focinho, com a certeza de que seu presente estava muito bem guardado e salvo de "ladrões".

Pensou o menino, sorrindo consigo mesmo: “Amanhã vamos mudar de casa... coitado, ele nem sabe disso".

No dia seguinte deu-se a mudança de casa. Na nova residência, o cão mostrava-se ansioso, irrequieto e, na primeira oportunidade, ele saiu correndo dali. No dia seguinte e nos subsequentes ele ainda não havia voltado. O menino, muito triste, de repente lembrou-se e disse aos pais:

- Ele deve ter tentado voltar para a outra casa e se perdeu! Ele deixou um osso que eu lhe dei, enterrado lá!

Pai, mãe e filho correram para a casa em que moraram. Lá chegando, ouviram: "Sim, seu cão apareceu por aqui, foi para o quintal e pouco depois saiu com algo na boca, em disparada. Não o detivemos, achando que ele estava voltando para vocês".

Meses se passaram e, um belo dia, voltando da casa de um amigo, morador de um bairro próximo àquele em que ele antes morara, o menino viu um cachorro que parecia ser o seu, amarrado a um poste, mas estava tão magro e abatido, que ele não tinha certeza de que aquele bichinho tão definhado era o mesmo cão. Chamou pelo seu nome. O cão ergueu as orelhas e levantou-se com dificuldade, abanando o rabo.

- É você mesmo, amigão! Vamos para casa, você vai ficar lindo outra vez!

Um homem de rua gritou:

- Ei! Aonde você pensa que vai levar o meu cachorro?

- Ele não é seu, é meu! - bradou o menino.

- Ah!... então você é o dono disto aqui também. - disse-lhe o homem, entregando-lhe uma carta toda amassada.

O menino a olhou e a reconheceu:

- Essa é uma carta que recebi do diretor do meu colégio, fazendo-me grandes elogios! Eu a esqueci no quartinho do quintal, onde fazia lições, em outra casa.

Disse o homem:

- Quando encontrei seu cão ele levava essa carta na boca. Pensando que estivesse perdido, eu o lacei e fiquei com ele preso aqui.

Vendo o menino com os olhos inundados de lágrimas, o homem lhe ensinou:

- É assim que agem os verdadeiros amigos. Eles podem esquecer as coisas que os fizeram felizes, mas sempre cuidarão para que lembremos daquelas que já nos trouxeram felicidade.

O menino despediu-se do homem e partiu com seu cão. Passou pela antiga casa, onde, pedindo licença aos novos moradores, desenterrou o osso e o devolveu para o bichinho que “sorriu”, como só um verdadeiro amigo sabe sorrir.


REFLEXÃO:

O amor, o companheirismo e a fidelidade que os animais dedicam aos seus donos são indescritíveis, indecifráveis e não têm preço. Só quem tem animais de estimação pode compreender a extensão desses sentimentos.

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