Coluna: @ Serra gaúcha - Por Oliveira Junior

No retrovisor... recordações!
16 de Junho de 2017 às 00:28
Quando falamos em cinema, rádio e esporte, certamente vem à lembrança nosso querido e saudoso Antônio Manoel Gomes Palmeiro, o popular "Barbela" (padrinho). Ele sempre zelou pelo seu arquivo musical, seus Lps, discos de 78 Rmp, um acervo impecabilíssimo, reunindo músicas desde os anos 40. Seus clássicos programas, reunindo o melhor da "velha guarda", trazia à tona vozes que principalmente ele, não permitia que se arquivasse.
 
O inédito é que nunca exigiu pagamento pela sua participação nas emissoras por onde passou em Santiago, dedicando horas de seu tempo para levar lazer e cultura aos ouvintes. Recordo-me do programa "Fazendinha da Saudade", entre outros do seu clássico estilo "recordar é viver". Mesmo com as noites de frio rigoroso, lá estava nosso padrinho Barbela, com seus discos, pala, boné de lã, luvas e seu carisma para engalanar suas programações.
 
No esporte era muito próximo do saudoso tenente Jacques, do Chicão, Neri Cardoso, Paulo Cardoso e um rosário de amigos que deixaram marcas inesquecíveis no desporto santiaguense. No tempo da Segunda Divisão, na famosa chave-fronteira, onde muito brilhou o Cruzeiro, o Raposão estrelado, como dizia nosso querido narrador e hoje exímio vereador Nelson Abreu, "Nequinho", era comum o Barbela dirigindo o ônibus cognominado "Medonho". Sim e chegava ao local dos jogos, lá estava ele assumindo a função de comentarista dos jogos.
 
E no cinema? Ah, sim, Barbela deu um toque de glamour ao Cine Teatro Neno. Filmes premiadíssimos iam para o telão. Os radialistas tinham sua carteira permanente para curtir as sessões gratuitamente. Tenho saudade do Cine Neno, pois, ali também foi palco do Grupo Teatral Liberdade, tão bem dirigido pelo seu diretor e meu grande amigo Jones Diniz, um dos destacados radialistas de Santiago. Lembro-me que na apresentação da peça "O Conde Drácula", com a presença de mais de oitocentas pessoas, tivemos que encerrar a peça devido à cena em que o conde levantou do caixão e, ao beijar o pescoço de sua amada, ensanguentou seus dentes e fez a sua bela desmaiar no palco. A gurizada assustada debandou geral.
 
Quando tive a honra de fazer teatro, sempre preferi "drama", "vilão", nunca me adaptei ao humorismo. Aliás, obrigado Jones Diniz pelo privilégio ter integrado o elenco do sempre querido "Liberdade". Amigo Julio Barcelos, não fosse teu Santiagonews, eu não teria certamente, oportunidade de trazer à tona o que está no retrovisor do tempo.

Galeríssima amiga, vaaaleu!  

Por: Oliveira Junior

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