Coluna: COLUNA DO BARBOSA

Estação das perdas (Aila Magalhães)
24 de Março de 2023 às 08:42
Nolfeu Barbosa abre a sua coluna de hoje nos brindando com o belíssimo texto ESTAÇÃO DAS PERDAS. Leia, reflita e aprecie.
Nolfeu Barbosa abre a sua coluna de hoje nos brindando com o belíssimo texto ESTAÇÃO DAS PERDAS. Leia, reflita e aprecie.

Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência, e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano. Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos! Começamos a vida em perda e nela continuamos. Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem. Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo. Ele nos acolhe, nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói. E continuamos a perder, e seguimos a ganhar. Perdemos primeiro a inocência da infância. A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas, por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair. E, ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar. Por quê? Perguntamos a todos e de tudo...
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.
Estamos crescendo. Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer, renascer (?)... Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos, mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade. Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça, sem medo de causar melindres. Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda, tememos dizer-lhe isso. Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho, ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto. Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros.
E aprendemos... E vamos adolescendo! Ganhamos peso, ganhamos seios, ganhamos pelos, ganhamos altura, ganhamos o mundo. Nesse ponto, vivemos em grande conflito, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.
Aí, de repente, caímos na real! Estamos amadurecendo, todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima dos outros animais? A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado? E continuamos amadurecendo! Ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma. E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalça, tomar banho de chuva, lamber os dedos. Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos para tascar-lhe aquele beijo estalado... mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade. E, assim, vamos ganhando tempo enquanto envelhecemos.
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos. Damo-nos conta de que perdemos, também, o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir, perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo!
Não podemos deixar para fazer algo quando estivermos morrendo... afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que, apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo, mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos sintam-se amados, mais do que saibam-se amados!


E SE DEUS... (Autor desconhecido)
E se DEUS não pudesse gastar tempo nos abençoando hoje, porque não pudemos gastar tempo agradecendo-Lhe pelo dia de ontem?

E se DEUS decidisse parar de nos dar amanhãs, porque não fizemos Sua vontade hoje?

E se nunca víssemos outra flor se abrir, porque reclamamos tanto quando DEUS nos enviou a chuva?

E se DEUS não caminhasse conosco hoje, porque deixamos de reconhecê-Lo?

E se DEUS não enviasse Seu filho unigênito, porque Ele queria que estivéssemos preparados para pagar o preço pelo pecado?

E se DEUS retirasse Sua mensagem, porque deixamos de ouvir o Seu mensageiro?

E se DEUS deixasse de nos amar e se importar conosco porque deixamos de amar e nos importar com os outros?

E se Deus não nos ouvisse hoje, porque não quisemos ouvi-Lo ontem?

E se DEUS atendesse às nossas dificuldades da mesma maneira como atendemos às necessidades de nossos irmãos?

Pense nisso hoje, quando estiver em contato com todas as pessoas que o cercam e que, de uma forma ou de outra, fazem parte de sua vida!

Seleção de textos feita por Nolfeu Barbosa.

 

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