Coluna: COLUNA DO BARBOSA

Palavras complicadas
27 de Agosto de 2021 às 07:06
Não é raro, tanto na pronúncia, como na escrita, por vezes usarmos palavras de forma errada. Nolfeu Barbosa, em sua coluna de hoje, enfoca este assunto e ainda traz uma lista de palavrinhas complicadas.
Não é raro, tanto na pronúncia, como na escrita, por vezes usarmos palavras de forma errada. Nolfeu Barbosa, em sua coluna de hoje, enfoca este assunto e ainda traz uma lista de palavrinhas complicadas.

Duas das matérias mais difíceis lecionadas no Ensino Fundamental são, seguramente, a matemática e o português. A aritmética, parte inicial da matemática, não é tão difícil, mas quando chega na álgebra, geometria e trigonometria, a coisa se torna bastante complicada, principalmente para quem não tem queda para essa disciplina.

Já o português costuma derrubar muita gente boa, não importando muito o seu nível cultural. Não é raro ouvirmos, no rádio e na televisão, pessoas cultas como médicos, advogados, engenheiros e até professores, falando alguma palavra de forma errada, principalmente em programas ao vivo.

Segue, abaixo, uma série de palavras que se prestam à confusão, tanto na pronúncia quanto na escrita. Coloquei-as primeiro na forma certa e depois na forma errada mais frequente:

  • Meritíssimo (certa) – Meretíssimo (errada)
  • Privilégio (certa) – Previlégio (errada)
  • Hipocrisia (certa) – Hipocresia (errada)
  • Incomodar (certa) – Encomodar (errada)
  • Disenteria (certa) – Desinteria (errada)
  • Beneficente (certa) – Beneficiente (errada)
  • Sicrano (certa) – Siclano (errada)
  • Próprio (certa) – Própio (errada)
  • Irascível (certa) – Irrascível (errada)
  • Reiterar (certa) – Reinterar (errada)
  • Reivindicar (certa) – Reinvindicar (errada)
  • Digladiar (certa) – Degladiar (errada)
  • Empecilho (certa) – Impecilho (errada)
  • Entretido (certa) – Entertido (errada)
  • Umbigo (certa) – Imbigo (errada)

Há, também, algumas palavras que, mesmo estando certas, são empregadas de forma errada. Você já deve ter ouvido alguém dizer “Passou-me desapercebido”, referindo-se a algo que lhe fugiu à percepção. O correto é “despercebido”. Desapercebido até existe, mas significa desprevenido, descuidado. Outra confusão costumeira ocorre com as palavras infligir e infringir. Infligir significa punir, aplicar pena a alguém. Infringir é desobedecer, desrespeitar ou violar alguma regra estabelecida.

Existe uma gama de palavras que, mesmo escritas de forma correta, são pronunciadas de forma equivocada. Vejamos a seguir:

– Filantropo e rubrica. Essas palavras têm sua tonicidade na penúltima sílaba, mas é comum ouvirmos alguém pronunciando-as como se fossem acentuadas na antepenúltima sílaba (Filântropo e rúbrica). Isso é errado, pois ambas são, de fato, paroxítonas.

– Subsídio e subsistência. É muito comum ouvirmos o segundo “s” dessas palavras com o som de “z”. Quem fala assim desconhece a regra básica que diz que, depois de consoante, o “s” tem realmente som de “s”.

– Circuito, fortuito e gratuito. Essas palavras têm sua tonicidade na letra “u”, mas certamente você ouve diariamente alguém falando como se elas fossem acentuadas na letra “i”, não é verdade? Isso é errado, além de soar muito mal.

Abordei esse tema hoje apenas a título de esclarecimento. Se você se atrapalha um pouco com o português, não se martirize, pois até hoje ninguém morreu por falar ou escrever de forma errada. Aliás, a culpa não é totalmente nossa, pois todos nós sabemos quem descobriu o Brasil, a América, ou quem declarou a Independência do Brasil, já que isso nunca mudará. No caso do nosso idioma, as mudanças são frequentes. Palavras que até recentemente eram acentuadas, já não o são mais, como ideia, geleia, assembleia. Palavras em que o trema era obrigatório, hoje não é mais usado, como nas palavras frequente, tranquilo, linguiça, pinguim. Resta, a nós, ficarmos atentos às mudanças da linguagem.


Por Nolfeu Barbosa

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